Os recentes casos de escândalo no mundo corporativo envolvendo gestores e empresários tem levado as autoridades a propor um novo modelo de gestão as organizações, principalmente aquelas em utilizam-se do mercado de capitais para o financiamento dos seus projetos de investimentos e crescimentos.

Importante ressaltar que as empresas que encontram-se listadas nas BOLSAS de VALORES (BOVESPA, DOW JONES, NASDAQ) estão amparadas pelo conceito da GOVERNANÇA CORPORATIVA, que no seu alicerce simplesmente é amparada pele LEI SARBANES que no seu conteúdo direciona a responsabilidade pelos atos praticados pelas empresas ao CONSELHO DA ADMINISTRAÇÃO, ao COO (responsável pela operação) e CFO (responsável pelas finanças e legislação) assumindo perante os órgãos regulamentadores (CVM – comissão de valores mobiliários – no Brasil e SEC – Securitires and Exchange Commission – nos EUA) a responsabilidade pelos atos praticados na gestão empresarial, no sentido de proteger os acionistas do mercado de capitais.

A GOVERNANÇA CORPORATIVA apresenta as empresas um modelo fantástico de gestão empresarial aplicável as grandes empresas e que no meu modo de pensar pode ser aplicado as pequenas e médias empresas, aprimorando assim seu modelo de gestão, evitando surpresas desagradáveis.

Primeiramente é importante entendermos o que se define por MODELO DE GESTÃO:

O modelo de gestão é um conjunto de normas e princípios que devem orientar os GESTORES nas escolhas das suas melhores alternativas para levar a empresa a cumprir sua missão com eficiência, eficácia e efetividade.

Algumas palavras importantes surgem também neste parágrafo, sendo importante a sua correta definição:

Eficiência: Podemos entender como os recursos empresariais são utilizados evitando desperdícios, exemplo: Matérias primas, mão de obra, salários pagos ao pessoal da administração em seus retornos que proporcionam a empresa, etc.

Eficácia: Podemos definir o grau de assertividade de uma empresa em relação a uma meta previamente definida, exemplo: o lucro gerado em relação ao seu volume de capital investido para gera-lo e neste sentido os indicadores de rentabilidade contribuem com certa propriedade.

Efetividade: Neste propósito nos leva a pensar de como será a empresa no seu longo prazo, daqui a 05 anos por exemplo: e como os GESTORES alinhados ao seu MODELO DE GESTÃO, estão contribuindo para conduzir a empresa a sua perpetuidade.

O que temos vistos ao nosso longo tempo atuando em empresa, que os funcionários se acomodam numa segurança a eles concedidos em fazer parte da empresa, protegido pela LEGISLAÇÃO TRABALHISTA e pouco contribuem de um modo alinhado em: levar a empresa a um FUTURO PROMISSOR.

Em tempos recentes os funcionários eram bem vistos em desempenhar suas funções corretamente, na atualidade o resultado presente nada mais é do que uma consequência de um fato do passado que foi muito bem definido através de metas futuristas.

Sempre comentamos em nossas aulas e consultorias: Findar a vida é um processo natural do ser humano, mas projetar o fim dela não faz parte de um indivíduo de sã consciência. Quando estamos acima do nosso peso, sempre procuramos uma academia ou reduzimos nossa alimentação, pois a gordura nem sempre é sinal de uma boa saúde.

Infelizmente as empresas engordam seus estoques, contas a receber, investimentos em ativo imobilizado, sem necessidade, e estes investimentos crescentes pouco agregam crescimento em faturamento ou margem operacional. E pior ainda estes investimentos que não geram receitas ou lucro, são financiados por FINANCIAMENTOS BANCÁRIOS que agregam despesas financeiras (juros) e comprometem ainda mais o lucro líquido empresarial.

Resumindo: Uma empresa ter um resultado negativo, devido a diversos fatores: tais como: Ações de competitividade da concorrência, fim do ciclo de vida útil de um determinado produto que pode ser afetada por diversos fatores, erros dos processo de fabricação e compras desnecessárias das matérias primas, investimentos sem o devido retorno, etc, podem conduzir a empresa ao fracasso e insolvência.

Mas: Projetar uma empresa no futuro com TODOS estes fatores NEGATIVOS sem uma devida análise e um MODELO DE GESTÃO efetivo podemos entender que os GESTORES estão conduzindo a empresa a força do vento e não com um PENSAMENTO ESTRATÉGICO definido.

Reflita uma pouco: Você já ouviu dizer que o Banco do Brasil, Ambev, Natura, entre outras empresas de destaque na BOLSA DE VALORES encontram-se em processo de insolvência ou falência?

Dificilmente você ouvirá este tipo de noticia, pois estas empresas adotam o MODELO DA GOVERNANÇA CORPORATIVA e o resultando conquistado no último trimestre divulgado aos acionistas nada mais é do que um conjunto de ações que foram avaliadas e discutidas amplamente no seu MODELO DE GESTÃO e aprovado pelo seu CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO e a DIRETORIA EXECUTIVA assume o seu real papel em: executar as diretrizes que foram APROVADAS pelo seu CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, ou seja apenas executa aquilo que foi desenhado no seu PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO.

Uma palavra de importância a definir é este tal de PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO:

Planejar é uma estratégia para aumentar as chances de sucesso de uma empresa, em um mundo de negócios que muda constantemente. Planos estratégicos não são uma garantia de sucesso e sim uma reflexão de como atingir o sucesso e ele será tão eficaz quanto as premissas que nele foram incluídas.

Assim o planejamento estratégico prepara a empresa para aquilo que está por vir e os administradores devem ter plena consciência em relação a sua ampla responsabilidade em definir indicadores (KPIS) correlacionados entre si e também ao seu MODELO DE GESTÃO para conduzir pausadamente a empresa a metas sustentáveis de crescimento.

Uma vez, definido o PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO o departamento de CONTROLADORIA assume a responsabilidade pelo PLANEJAMENTO e controle dos resultados operacionais e sua missão é: ASSEGURAR O RESULTADO PLANEJADO DA COMPANHIA.

Assim a controladoria pode ser definida como um departamento responsável pelo projeto, elaboração, implementação e mensuração de um sistema integrado de informações operacionais, financeiras e contábeis de uma empresa. Por este motivo um sistema operacional ERP muito bem estruturado facilita e muito a vida do CONTROLLER.

Numa outra definição a CONTROLADORIA pode ser vista como um órgão administrativo com missão, função e princípios norteadores definidos no MODELO DE GESTÃO aprovados pelo alto escalão da empresa.

De acordo alguns pesquisadores de renome ao departamento da  Controladoria não compete o comando do navio, pois esta tarefa é do primeiro executivo; representa, entretanto, o  navegador que  cuida  dos mapas de navegação. É sua  finalidade  manter  informado o  comandante quanto  à distância percorrida, ao local em que se encontra, e à velocidade da  embarcação, à  resistência  encontrada,  aos desvios da rota,  aos recifes  perigosos e aos caminhos traçados  nos mapas, para que o navio chegue ao destino. ( Heckert e Wilson)

A base da controladoria operacional é o processo de planejamento e controle orçamentário, também denominada do planejamento e controle financeiro ou planejamento e controle de resultados. O orçamento é ferramenta de controle por excelência de todo o processo operacional da empresa, pois envolve todos os setores da companhia

Uma vez definido o PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO de uma empresa a função da controladoria será em estruturar o PLANEJAMENTO OPERACIONAL ou ORÇAMENTO EMPRESARIAL da empresa em relação ao seu desempenho do futuro e assim o profissional destacado para esta função deverá ter amplo conhecimento e que deverá obrigatoriamente fazer parte do seu escopo profissional:

  • Amplo conhecimento da legislação societária e estruturação dos demonstrativos contáveis (Balanço Patrimonial, demonstração do resultado do exercício (DRE) e do fluxo de caixa, principalmente do modelo indireto, o modelo que liga o lucro gerado na DRE ao principal item do balanço patrimonial: o CAIXA.
  • Amplo conhecimento do mercado financeiro, no entendimento de como encontra-se a economia em seus principais indicadores divulgados pelo BANCO CENTRAL, propiciando a este profissional em prever as taxas do PIB (produto interno bruto), cambio e taxas do mercado tais como: Selic, IPCA, entre outras.
  • Amplo conhecimento dos indicadores financeiros, permitindo assim avaliar como a empresa chegou até o atual estágio, no sentido de avaliar o DNA da empresa e como os gestores vem INVESTINDO os recursos em relação as suas ORIGENS DE CAPITAIS.
  • Amplo conhecimento dos indicadores da gestão econômica, permitindo em projetar em como será a empresa no futuro, para que antecipadamente o PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO possa ser estruturado no objetivo de “mudar” o rumo da empresa ou num último estágio interromper a queda do desempenho operacional, antes que a empresa entre em processo de insolvência ou falência.

Infelizmente, muitos empresários entendem ser desnecessário os investimentos necessários a um departamento de controladoria; e o valor que perdem por ações não coordenadas representam a ponta de um iciberg em uma montanha de gelo que não são monitoradas pelas organizações, até que o capital de terceiros (financiamentos bancários) tomem integralmente conta de todos os recursos investidos na empresa.

Prof. Alexandre Wander – Finanças Corporativas e Avaliação Empresarial

Compartilhe nas Redes Sociais