A gestão do fluxo de caixa de uma empresa se apresenta como uma poderosa ferramenta da gestão empresarial; mas muitos por falta de conhecimento, ainda ousam em administrar uma empresa na utilização do lucro líquido ou de um modo mais aprimorado na utilização do lucro operacional, ou do EBITDA (ganhos antes da depreciação e amortização) ou ainda através margem operacional. Sendo normal ouvirmos nas empresas as seguintes frases: quanto foi a margem operacional do mês? ou quanto a empresa gerou de EBITDA.

Logicamente estes indicadores possuem sua contribuição em analisar o resultado operacional ou o lucro líquido; mas tornam-se parâmetros ainda mais valiosos quando correlacionamos estes indicadores com o volume do capital investido. Nascendo assim, os indicadores da rentabilidade do investimento (ROI) ou rentabilidade do patrimônio líquido (ROE).

Vamos avaliar o case abaixo:

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Quando analisamos o desempenho da empresa através dos indicadores de rentabilidade, podemos chegar a seguinte conclusão:

A empresa apresentou um ROI de 16% e um ROE de 18,73% decorrente do giro de 0,93, a margem líquida de 14,8% e uma alavancagem de 1,35. Podemos concluir neste exemplo acima, que a empresa  encontra-se com uma rentabilidade compatível ao mercado.

Porém, existe uma distância a ser percorrida em concluirmos que estes indicadores traduz com propriedade o que realmente está acontecendo na empresa; e como os gestores estão administrando os recursos do acionistas.

Uma opção alternativa, será correlacionarmos os indicadores de rentabilidade com a  gestão do caixa, dai sim; este indicadores poderão contribuir com maior eficácia na  avaliação da gestão empresarial.

Vamos lá:

O ROE (rentabilidade do patrimônio líquido) relaciona o lucro líquido do exercício com o Patrimônio líquido (médio ou anual). Porém a empresa pode gerar lucro na DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO; mas não gerar lucro ao CAIXA.

A importância da gestão do FLUXO DE CAIXA em complemente ao LUCRO LIQUIDO.

A empresa gera o lucro operacional e que deduzindo o imposto resulta no NOPAT e adicionado as despesas não desembolsáveis (depreciação e amortização) temos o FLUXO DE CAIXA OPERACIONAL.

Se a empresa não promover nenhum investimento nos ativos operacionais existentes e não tiver dívidas com terceiros (financiamentos bancários) este FLUXO DE CAIXA OPERACIONAL gerado transforma-se em caixa e por sua vez em DIVIDENDOS; gerando incremento do valor das ações; pois o acionista em primeira instância requer dinheiro da empresa em decorrência do seu capital investido.

Porém, se a empresa promover investimento no seu ATIVO operacional; decorrente de projetos de crescimento parte deste FLUXO DE CAIXA OPERACIONAL (FCO)  será investido em CAPITAL DE GIRO (working capital) ou no IMOBILIZADO (capex) resultando o FLUXO DE  CAIXA LIQUIDO DOS INVESTIMENTOS, que chamamos de FLUXO DE CAIXA DA EMPRESA (FCFF); pois a empresa necessitou de recursos gerado no seu FLUXO DE CAIXA OPERACIONAL (FCO) para financiar o seu crescimento futuro, visando manter sua competitividade no mercado.

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Considerando o nosso exemplo acima, do lucro líquido gerado no período de 2016; a empresa promoveu um taxa de investimento entre capital de giro e ativo imobilizado na ordem de 110,53%, que consumiu integralmente todo o FLUXO DE CAIXA OPERACIONAL DA EMPRESA e para recomposição da sua saúde financeira foi necessário R$ 3.100 em captação de recursos ONEROSOS ao seu caixa e que o FLUXO DE CAIXA do ACIONISTA antes da captação foi negativo em R$ 2.750.

Fica ai o nosso ponto de reflexão: Uma empresa que apresentou um ROE atrativo de 18,73%; conseguiu finalizar o período com o CASHFLOW ROE negativo.

Como a empresa promoveu investimento ou “plantou no presente” para gerar caixa no futuro, o acionista terá um menor volume de DIVIDENDOS no seu bolso, porém uma expectativa de ganhar no futuro; assim também poderá ocorrer uma valorização das ações; pois acreditando em ganhar no futuro o acionista compra na baixa promovendo um incremento no valor decorrente da lei da oferta e procura.

Podemos chegar a conclusão que o valor das ações das empresas maduras são mais estáveis e o valor das empresas jovens oscilam com maior frequência; isto decorrente do risco futuro do investimento de caixa promovido no presente.

Comentando uma empresa alavancada (que utiliza financiamento bancário para financiar suas operações):

Continuando nossa linha de pensamento; caso a empresa fosse alavancada o FLUXO DE CAIXA DA EMPRESA deverá remunerar as fontes de financiamentos (capital de terceiros) no pagamentos de juros e amortização do principal e somente a partir daí irá  resultar o FLUXO DE CAIXA do ACIONISTA.

Resumindo:

Administrar uma empresa apenas por indicadores de lucro correlacionados as suas fontes de financiamentos é um risco; pois não consideramos o quanto a empresa consome de recursos para manter sua operação; e não analisar o quanto deste recurso já esta comprometido com terceiros fica ainda pior; pois de um grande volume gerado no LUCRO OPERACIONAL ou no LUCRO LÍQUIDO poderá resultar num FLUXO DE CAIXA negativo ao ACIONISTA, induzindo os administradores a buscar recursos ONEROSOS para atendimento da LEI DA DISTRIBUIÇÃO de dividendos que baseia-se erroneamente na gestão do lucro liquido.

Como recomendação estude com dedicação as metodologias abrangentes da gestão operacional e procure capturar o real pensamento dos acionista que promovam o incremento do valor das ações no mercado de capitais.

Prof. Alexandre Wander

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