POR QUE AS EMPRESAS USAM FINANCIAMENTO POR MEIO DE DÍVIDA?

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Vale a pena entender por que as empesas usam deste artificio nas suas operações e seus meios de controles e gestão do endividamento bancário, entre os quais destacamos abaixo:

  • Benefícios fiscais de juros corporativos: Em muitos países, inclusive no Brasil, a legislação permite que as despesas financeiras provenientes do financiamento bancário sejam dedutíveis na base de cálculo do Imposto de Renda. Por este motivo os administradores sentem-se motivados em mesclar sua estrutura de capital.
  • Gerenciamento de suas fontes de financiamento visando a criação de valor aos acionistas: As empresas que utilizam-se da alavancagem financeira fortalecem a rentabilidade do acionistas (ROE); pois maximizam a rentabilidade quando o custo do financiamento bancário é inferior a rentabilidade “natural” da empresa o ROI (rentabilidade do investimento) e quanto maior for o spread que multiplicando pelo resultado da divisão do capital de terceiros pelo capital próprio (patrimônio líquido) que denominamos de “relação debit/equity); maior o incremento da rentabilidade do acionista.

Apresentamos uma fórmula desenvolvida por acadêmicos de forte utilização na USP pelo professor Eliseu Martins e outros de renome internacional:

A Rentabilidade do acionista (ROE); e incrementada quanto o ROI (rentabilidade da empresa) é superior ao custo do financiamento bancário e assim quanto maior for a relação debit/equity a alavancagem incrementa o ROE

  • ROE = ROI + (ROI – Ki). d/e

Onde:

  • ROI: Rentabilidade do ativo operacional
  • Ki: Custo do endividamento bancário
  • D: Capital de terceiros
  • E: Capital próprio ou patrimônio líquido

Exemplificando: Uma empresa que apresenta um ROI igual a 12% e um custo de endividamento bancário igual a 10% e uma estrutura de capital com 50% de capital de terceiros e consequentemente uma estrutura de capital próprio igual a 50% a rentabilidade do acionista o ROE salta de 12% numa empresa que utiliza 100% de capital próprio para 14% numa empresa que se utilizada da mesclagem de capital (50% de terceiros e 50% de capital próprio).

Aplicabilidade da fórmula:

  • ROE: ROI (12%) + ((ROI de 12% – KI de 10%). 50%/50%)
  • ROE: 12% + (2%).1)
  • ROE = 14%.

Um case real: A Natura em 2014 saltou de um ROI de 24,36% para um ROE de 64,53% isto decorrente de um custo da dívida médio de 12,77%; uma relação debit/equity de 3,47.

acesse o link e visualize uma análise fundamentalista completa da NATURA

Natura: Análise fundamentalista de 2010 até 2017

Entretanto, como os custos do financiamento é fixo, o aumento da relação debit/equity por uso da dívida, aumenta a probabilidade da dificuldade financeira, em época de dificuldades de a empresa honrar o pagamento dos juros e amortização do valor do principal com os credores bancários. Isso força a empresa a gerenciar pontualmente seu capital de giro em seu ciclo operacional e financeiro; que não pode ser superior ao ciclo financeiro dos pagamentos dos juros de da amortização do principal.

O cuidado deve ser pontual pois a dificuldade financeira tem múltiplas consequências negativas para a empresa:

  • Custos legais de uma dificuldade financeira: As reestruturações tendem a ser caras, uma vez que as partes envolvidas têm que contratar advogados, consultores, peritos contábeis em proteger a empresa visando manter suas operações. Esses custos geralmente são chamados de custos diretos de dificuldade financeira.
  • Aversão dos investidores as empresas com endividamento: As empresas com alto endividamento têm dificuldade em levantar capital, uma vez que novos potenciais investidores e credores são cautelosos ao se envolverem em disputas legais da empresa. Por isso, as empresas em dificuldade financeiras geralmente são incapazes de levantar novos financiamentos, apesar de parecerem lucrativas para os seus proprietários.
  • Custos de conflito entre os credores e os acionistas: Ao se deparar com dificuldades financeiras, os credores “bancários” tem prioridade em relação aos acionistas e os dividendos tornam-se algo distante aos acionistas e a tendência é a queda do valor das ações nas bolsas de valores. Por isso, os gestores deparam-se com a pressão aumentada para tomar decisões que geralmente atendem os interesses dos acionistas que aumentam o beta e assim o custo do capital próprio torna-se mais caro com reflexo direto nos fluxos de caixas futuros da empresa; reduzindo assim o valor da empresa também pela utilização da metodologia do FLUXO DE CAIXA DESCONTADO tanto no período explicito quanto na perpetuidade. Os credores bancários também reagem aumentando os custos de financiamento para uma empresa com alta alavancagem.

Assim, empresas com alto endividamento devem ser gerenciadas pontualmente; pois apresentam altos riscos de negócios e seus ativos estão sujeitos a serem destruídos em dificuldade financeira. Por exemplo, as empresas com capital humano e intangíveis de marca são particularmente vulneráveis à dificuldade financeira, visto que os funcionários e clientes insatisfeitos podem deixar a empresa em procurar mercados alternativos. Por outro lado, empresas com ativos tangíveis tendem a “vender” seus ativos se estiverem em dificuldade financeira e transferir sua tecnologia aos concorrentes de mercado.

  • As empresas com ativos intangíveis são, portanto, menos prováveis de serem altamente alavancadas do que as empresas cujo ativos são em sua maioria tangíveis.
  • As empresas que possuem uma maior participação de capital de giro na composição do seu ativo operacional “são mais leves” em relação as empresas que imobilizam grande volume no seu ativo imobilizado; e assim podem se utilizar com maior segurança o efeito alavancagem.
  • As empresas que trabalham com ciclo financeiro inferior a 30 dias ou ciclo financeiro negativo também são mais recomendadas na utilização da alavancagem.

Desejamos uma boa continuidade aos seus estudos e deixamos assim um amplo caminho de interesse a pesquisa.

Texto adaptado de Krishna G. Palepu e Paul M. Healy

Prof. Alexandre Wander

Obs: ainda nestes dias estaremos publicando a composição do endividamento, a rentabilidade do ativo operacional e a rentabilidade do acionista de algumas empresas da BOVESPA. aguardem….

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