Entrevista com o nosso consultor em gestão de pessoas: Como ingressar nas empresas e manter a empregabilidade

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1) Como se encontra o mercado de trabalho nas empresas nos dias atuais e o qual o caminho a ser traçado por um jovem para conseguir um bom emprego?

O mercado de trabalho sofre com crise a econômica, hoje o desemprego está próximo a 12% e não há tendência de queda no curto prazo. A melhora do nível de emprego só vira com a retomada da economia. As previsões não são boas para o curto prazo, falam em crescimento de 1% para o ano que vem. É muito pouco, considerando a queda ocorrida nos últimos anos. Portanto, crescer 1% sobre uma base baixa é nada. Esta crise afeta de forma mais cruel ainda a população jovem, especialmente os que querem ingressar no mercado de trabalho pela primeira vez. A concorrência com pessoas experientes é acirrada e prejudica muito os jovens e sem experiência. Portanto, os mais jovens devem se preparar bem para o mercado. Devem ter uma formação acadêmica ou técnica robusta. Independentemente se a escola de formação é uma escola de nome forte, o que importa é que o candidato se prepare bem e demonstre na hora da entrevista ou do teste de emprego, que não tem apenas um diploma, mas sim que tem conhecimento. Por outro, lado devem também buscar o apoio de pessoas experientes que possam aconselhar no momento da decisão pelo caminho a seguir e como se portar no busca do emprego e no momento da entrevista. E antes disso mesmo é preciso buscar em sua região as melhores fontes de oportunidades de emprego, por exemplo, sites da internet, agências de recolação e etc. Mas, sempre foi e continua sendo importante na busca de uma recolocação ou busca da primeira oportunidade a indicação pessoal. Ou seja, é necessário buscar que amigos, conhecidos, parentes ou qualquer pessoa de sua rede de relacionamento o indique para processos nas empresas em que trabalham. É uma fonte importante de busca de oportunidades e também, em princípio, uma boa fonte de referência, porque o candidato já tem uma indicação interna à empresa. Por isso, é importante que todas as pessoas do relacionamento do candidato a emprego saiba que ele está buscando uma recolocação ou uma primeira oportunidade no mercado. A propaganda é alma do negócio. E também é preciso que o Candido peça para ser indicado ou informado de oportunidades existentes. Não se deve ter vergonha de pedir este auxílio aos amigos e conhecidos. É absolutamente normal isso. E humildade não faz mal a ninguém. A rede trabalhará a seu favor. Arrogância sim. Achar que pode tudo sozinho torna as coisas muito mais difíceis.

2). Normalmente após o momento de crise temos a retomada do crescimento. Como aproveitarmos esta oportunidade?

Devemos estar sempre preparados para o mercado de trabalho. Temos que estar na estação quando o trem passar, se não estivermos lá o trem passará e perderemos a viagem.  Portanto, é preciso se preparar e estar atento às oportunidades que surgirão. Cada um na sua área e no seu interesse deve procurar estar melhorar preparado que os outros candidatos que estarão disputando a mesma oportunidade. Portanto, se se está procurando uma oportunidade administrativa, precisamos buscar competências adicionais à aquelas tradicionais. Por exemplo hoje é fundamental falar inglês, sem inglês o candidato nem participará dos processos seletivos. É apenas um exemplo, outros são importantes, como especialização em áreas de interesse, pós-graduação e etc. se a busca é por áreas técnicas, o inglês também é muito importante, devemos nos lembrar que os manuais de máquinas e equipamentos de ponto em geral são em inglês, além dos comandos de operação, e, também neste caso, a busca de conhecimentos técnicos adicionais aos tradicionalmente ensinados são muito importantes.

3) O que se entende por cultura organizacional e como um jovem promissor deve construir e manter a sua rede de relacionamento para fazer parte de um time promissor?

São duas perguntas: A primeira o que é uma cultura organizacional? Esta é uma definição ainda em construção há muitas formas de se tentar explicar o que é uma cultura organizacional. O tema não é fácil e precisaria de uma aula para entendermos melhor isto. Mas podemos resumir cultura como o conjunto de valores orientadores do comportamento organizacional, definidos pela empresa. Estes valores são, via de regra, definidos pela direção da empresa. A partir destes valores os colaboradores, funcionários, que nela ingressarem devem pautar suas condutas relacionadas aos negócios na empresa. Como se adaptar a esta cultura, a partir dos valores individuais de cada um é outra questão complexa. A discussão é longa e rica em divergências. Eu particularmente acredito e penso que ajuda muito no sucesso profissional que o candidato adote o seguinte princípio: Cultua da empresa é aquilo que a diretoria diz que é. Portanto, deve pautar por isto sua atuação profissional. É mais seguro e confortável pautar-se pela cultura vigente. Podemos mudar a cultura? Lógico que podemos e devemos fazer isto sempre que esta se mostrar inadequada. Mas, primeiro é necessário utilizar os mecanismo internos à organização para introduzir elementos modificativos da cultura e só então pautar-se pelas novas definições. Portanto, atue de acordo com o definido e procure mudar o que está definido para, só então, modificar seu modo de atuação.

A segunda pergunta: Com um jovem deve construir e manter sua rede de relacionamento. A rede de relacionamento começa a ser construída na escola, não deixe de manter contato com seus antigos amigos de escola, eles provavelmente se tornarão pessoas importantes que poderão ajudá-lo em seu futuro profissional. Participe das festas e reuniões que estes grupos organizam. Se não organizam, tome você a iniciativa de reunir estes grupos. Segundo, todos os seus amigos e conhecidos devem saber, de forma não acintosa, de suas qualidades pessoais e profissionais e de seus interesses pessoais. Nas conversas informais, sempre que possível introduza um tópico de discussão que seja interessante naquele momento e que possam demonstrar suas habilidades pessoais e profissionais e faça isto com naturalidade, sem demonstrar arrogância. As pessoas precisam saber de suas qualidades pessoais, além dos assuntos triviais do dia-a-dia. Participe de grupos e seminários de discussão de assuntos relacionados com sua área profissional e procure obter e manter os dados de cada um dos participantes. Esteja ligado nas redes sociais e busque relacionar-se com pessoas que possam contribuir para seu crescimento pessoal e profissional. No lado profissional participar da rede LinquedIn hoje é fundamental. Ter um perfil bem montado nesta rede ajuda muito na visualização profissional por recrutadores de pessoas e ajuda também na busca de oportunidades. Agora uma mensagem muito especial, se você já trabalhou e deixou uma empresa, por qualquer razão, nunca quebre a sua rede de relacionamento com seu antigo grupo de colega, principalmente com seu antigo Chefe. Mesmo que você esteja magoado por ter sido demitido, ou por ter tido divergências fortes de pensamento, quando deixar seu antigo emprego você deve manter o relacionamento com seu antigo chefe em alto nível. Ele será sua principal fonte de referência no mercado de trabalho, e ser bem recomendado por ele é um passo importante. Portanto, muita humildade na hora de trocar de emprego, fale com seu chefe, digo que ele foi importante na sua carreira e que, apesar das divergências ( se houveram) ele contribuiu muito para seu aprendizado. Isto pode não valer nada, mas na maioria das vezes ajuda muito.

4) O que pensa um diretor de uma grande empresa e como ele avalia seus funcionários?

Um Diretor de empresa pensa sobre tudo o que pensa os demais funcionários. São pessoas absolutamente normais. Tem os mesmos sentidos e as mesmas emoções. Reagem aos fatos da mesma forma que qualquer outro e tomam decisões baseados nos valores que tem como pessoa e nos valores organizacionais que, via de regra, ele mesmo ajudou a construir. Quando a avaliação dos funcionários, há muitos métodos de avaliação, depende do método utilizado por cada empresa. O que eu vejo como mais eficiente método de avaliação é aquele que combina, desempenho nas competências requeridas para cada cargo, somados aos resultados objetivos versus objetivos traçados. As vezes desempenhos bons nas competências requeridas necessariamente não conduz aos resultados esperados. Portanto, só isto não é bom. Por outro lado, só resultados, ou resultados a qualquer custo, também não é bom, porque podem trazer benefícios de curto prazo, mas comprometendo metas de longo prazo necessárias para a perpetuação do negócio. Portanto, uma combinação e desempenho em competências requeridas, somados a resultados efetivos é que melhor define uma boa avaliação profissional.

5). Onde posso encontrar um melhor caminho para o meu sucesso profissional: ingressando numa grande empresa multinacional ou nas pequenas e médias empresas também posso construir a minha carreira? Quais as particularidades da grande empresa e da média empresa.

Não há uma resposta certa ou errada para esta questão. Trabalhar em grandes empresas ou pequenas e médias empresas trazem vantagens e desvantagens. Podemos elencar algumas:

Grandes empresas

Vantagens: Visibilidade, “sobrenome” empresarial, estruturas mais bem organizadas, tecnologias de ponta; mais oportunidades de crescimento (mas há desvantagem relacionada – concorrência interna maior), em geral oferecem melhor nível de remuneração.

Desvantagens: Grande concorrência interna para promoções; “mais um na multidão”, ou seja, você está entre muitos e, portanto, é menos conhecido das pessoas que decidem, estruturas engessadas que inibem a criatividade; muitas pessoas envolvidas nos processos decisórios, dentre outros.

Pequenas empresas

Vantagens: Visibilidade interna, estar mais perto das pessoas que decidem – donos ou diretores executivos, menor concorrência interna para promoções, estruturas menos engessadas que possibilitam a criatividade e a iniciativa, maior participação nos processos decisórios e menos pessoas envolvidas nestes processos.

Desvantagens: As vezes defasagem tecnológica, menos reconhecimento do mercado, dificuldade de contornar conflitos (estar muito próximo dos que decidem é bom para boas decisões, mas ruim nos momentos de conflitos – divergir do dono é um problemão.); nível de remuneração mais baixo.

O importante, na verdade, é que cada um deve fixar suas metas e objetivos pessoais e, a partir daí, analisar se estes objetivos poderão ser alcançados na empresa em que você está, seja ela pequena, média ou grande.

Por: Irineu Máximo Diniz

Consultor sênior em Gestão de Pessoas da Geconpany

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