Introdução básica: A matemática financeira estuda o comportamento do dinheiro ao longo do tempo e o seu objetivo básico resume-se em efetuar comparações entre:

  1. A data de aplicação de um recurso até o retorno deste investimento;
  2. O valor do dinheiro na data de hoje, e o seu valor até na data da liquidação da mercadoria.

Logicamente alguns desembolsos que efetuamos denomina-se despesas e são essenciais e prazerosos, ou seja, representa o consumo imediato de um recurso financeiro e que por sua vez nos trará satisfação ao momento atual e as nossas necessidades de sobrevivência, tais como: gastos com alimentação, lazer. Etc. Afinal de contas; somos merecedores.

Mas…..quando se fala em investimentos, devemos efetuar algumas reflexões:

Existem gastos de recursos financeiros atrelados a investimentos; e este por sua vez, deve ser criteriosamente avaliado; pois a moeda nada mais é do que um instrumento de troca de transação entre o comprador e o vendedor, atrelada a mercadoria, caracterizada pelo seu valor de mercado.

Como assim? Quando uma empresa elabora um produto, ou um profissional presta um serviço; consome-se diversos bens até a sua finalização e isto denomina-se custo total de produção de um determinado produto. Adicionando-se o lucro almejado ao custo de produção da mercadoria conhecemos o valor que a mercadoria será comercializada no mercado.

Vamos lá: Como a moeda é o poder de troca entre partes, ela representa o valor imediato de uma determinada mercadoria. Se a transferência da mercadoria e do dinheiro for de imediato não temos o fator tempo, nem a incerteza se o comprador irá ou não concretizar o pagamento em recurso financeiro pelo recebimento da mercadoria numa determinada data futura.

Percepções a serem avaliadas pelo vendedor: em relação a entrega imediata da mercadoria e o recebimento do dinheiro numa data futura:

  • O valor do dinheiro que irei receber no futuro terá o mesmo valor na data de hoje?
  • Qual o risco de a mercadoria ser entregue na data de hoje e não recebermos o dinheiro futuramente?
  • Qual será o impacto da inflação sobre o tempo entre a data da entrega da mercadoria e a data do recebimento do dinheiro no futuro?

Percepções a serem avaliadas pelo comprador, em relação ao efetuar o pagamento da mercadoria em data futura:

  • O valor a ser pago no futuro está corretamente definido?
  • Será que o juro colocado pelo vendedor da mercadoria está correto?

Quando deixamos de pagar uma mercadoria a vista e passamos a fazê-la a prazo; o fator monetário assume uma característica de extrema importância a ser avaliada; pois o “dinheiro” se descola da mercadoria passando a ter o seu valor isoladamente, e este CAPITAL terá oscilações significativas no decorrer do tempo.

Sério? Isto mesmo; quem antecipa suas ansiedades de consumo para a data de hoje; pelo fato de ter o dinheiro somente no futuro assume os juros definido pelo vendedor na linha do tempo, atrelada ao risco.

Ou seja: Você pode antecipar tua necessidade de comprar um carro novo na data de hoje com pagamento mensais a prazo de 05 anos, e simplesmente pagar dois ou mais carro no futuro.

Você já parou para pensar: se vale a pena comprar um carro a prazo, ou alugar um carro a prazo???

Vamos a um exemplo na prática?  Como a matemática financeira nos ajudar a construir nosso patrimônio, ou pelo menos protegê-lo:

  • Um carrão deste dai, sonho de consumo da maioria dos brasileiros, custa em média R$ 150.000,00 reais, correto?

Vamos supor que para eu impressionar meus amigos e satisfazer meu “ego”,  resolva comprar um deste dai.

Mas como não tenho dinheiro vou fazer um simples financiamento bancário a taxa de juros 10% ao ano, num prazo de 05 anos.

Vamos lá: Valor do carro R$ 150.00,00 reais.

  1. Retirando o carrão da concessionária ocorre uma desvalorização imediata de 20%, então no dia seguinte o carro passa a valer R$ 120.000,00 reais correto?
  2. Considerando uma depreciação anual de 10%, teremos uma desvalorização anual de R$ 15.000,00 reais e no final de 05 anos o valor de mercado do “meu carro dos sonhos” será de R$ 45.000,00.

Como eu não tinha dinheiro, e fiz um financiamento bancário do carro no valor de R$ 150.000,00 ao prazo de 05 anos com uma taxa anual de 10% ao ano.

Valor da minha dívida integral liquidada ao período de 05 anos será de:

R$ 241.576,50 (Duzentos e quarenta um mil reais, quinhentos e setenta e seis reais e cinquenta centavos). isto mesmo.

Bom se o valor residual do carro após 05 anos é de R$ 45.000,00 reais e a minha dívida é de R$ 241.576,50 – então a minha perda financeira será de aproximadamente R$ 196.576,50 (cento e noventa e seis mil, quinhentos e setenta e seis reais e cinquenta centavos).

Um alerta: Quando você está comprado algo a prazo, lembre-se: Uma coisa é o custo da mercadoria e outro fator é o custo do dinheiro. Na compra a prazo além de você estar comprando a mercadoria você também está comprando dinheiro. Já pensou em avaliar tanto o custo da mercadoria, tanto quanto o custo do dinheiro?

Ha, considere também gastos anuais com: IPVA, seguros, manutenção. etc.

Comprar ou alugar um carro? o que seria melhor?

Um outro exemplo: Você pode antecipar tua necessidade de comprar um novo apartamento na data de hoje com pagamentos mensais de 35 anos com parcelar que cabem no teu bolso. Mas você parou para avaliar o quanto de “juros” encontra-se embutidos na parcela mensal do pagamento? Quantos apartamentos você estará pagando para comprar um único apartamento?

Você parou para pensar: se vale a pena comprar um apartamento ou alugar um apartamento??? e investir teu dinheiro numa aplicação que apresentar um rendimento superior ao valor do aluguel que você estará pagando mensalmente?

E na compra será que o valor mensal do aluguel que você estará recebendo será superior ao rendimento de uma aplicação financeira? Por exemplo: Você pode aplicar o valor que você estaria comprando um apartamento com uma taxa de rendimento anual de 10%, enquanto que retorno de um aluguel anual pode representar apenas 5% ao ano.

Agora um fator positivo a ser avaliado: Quando você compra um apartamento, além do valor anual do aluguel, existe um outro fator positivo e, justamente ai resido os “grandes ganhos” dos investidores: Que refere-se a “valorização do imóvel”, principalmente quando se adquire na planta ou na compra de liquidação das últimas unidades onde a construtora para se livrar do empreendimento simplesmente “liquidam” a preço de custo os últimos apartamentos e favorecendo o investidor de última viagem.

Ao invés de comprar um apartamento vou investir meu dinheiro da BOVESPA, seria um bom negócio? Investir na Bolsa requer cuidado e muita cautela, costumamos dizer que temos dois tipos de riscos a serem avaliados: O risco sistemático e o risco não sistemático, e isto requer muita experiência e tempo de estudo.

Alguns ‘novatos inexperientes” que construíram ocasionalmente suas “grandes fortunas” na BOLSA DE VALORES; ficam induzindo a população a procederem investimentos na bolsa avaliando apenas o “sobe” e “desce” do valor de uma ação. Precisamos entender “como” e “porque” as empresas constroem ou destroem valor aos acionistas, e isto requer uma vasta experiência no tema.

Fique esperto pois: Quanto maior o retorno prometido maior o risco atrelado ao investimento.

Desafio você a elaborar um cálculo se vale apena comprar ou alugar um apartamento?

Questão para reflexão: Você avaliou se os juros foram corretamente definidos? qual o valor das taxas administrativas embutidas no juros?

2% é pouco?  Imagina isto em 35 anos.

Você entende sobre cálculos da tabela PRICE e tabela SAC? sistema de capitalização simples e composta?

Algumas pessoas ao antecipar seus anseios não adquire BENS e sim “DIVIDAS”; lembre-se a RIQUEZA somente existe pela RENDA ECONOMIZADA.

Assim, postergar uma entrada imediata de caixa (recebimento) por certo tempo envolve sacrifício, o qual deve ser pago mediante uma recompensa, definida pelos juros.

A matemática financeira estuda em sua essência justamente isto, em avaliar o comportamento do dinheiro no decorrer do tempo, para que valor da mercadoria na data de hoje tenha um valor justo no futuro.

Vamos relacionar algumas siglas, que poderá ajudar no entendimento do estudo da matemática financeira

  1. Juros (J): É a remuneração do capital emprestado, podendo ser entendido, de forma simplificada, como sendo o aluguel pelo uso do dinheiro, ou o “custo” do dinheiro.
  2. Capital (PV): Qualquer valor expressão em moeda que representa o valor de uma mercadoria disponível em determinada época;
  3. Taxa de juros (i): É o coeficiente que determina o valor do juro, isto é, a remuneração do fator capital utilizado durante um período.  A taxa está sempre relacionada com uma unidade de tempo (dia, mês, trimestre, semestre, ano etc.).
  4. Tempo (n): prazo de recuperação do capital
  5. Risco: ou incerteza acerca do futuro, também causa o declínio no valor do dinheiro no decorrer do tempo.
  6. Capitalização: Mecanismo da acumulação dos juros em relação ao capital inicialmente empregado.
  7. Montante (FV): Valor do capital acrescido dos juros do período.

Ao estudar com mais propriedade a disciplina da matemática financeira, você será capaz de avaliar o valor justo entre a mercadoria e o valor do dinheiro na data de hoje e sua correlação com o futuro e poderá te ajudar e muito em avaliar se é melhor, postergar tua ansiedade e simplesmente montar uma reserva de caixa antes de concretizar teus anseios.

Lembre-se: Os recursos são escassos e as necessidades ilimitadas.

Num outro post estaremos avaliando: A importância da matemática financeira, e o desgaste do dinheiro ao decorrer do tempo, sobre a ótica do empresário.

Alexandre Wander de Oliveira – Professor em finanças e consultor empresarial

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